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Saci Pererê, um ateliê de cultura brasileira

7 Rue des Cinq Diamants 75013 Paris

 Metrô : Place d'Italie ou Corvisart

 phone: 06 07 68 99 93

© 2017 by Saci-Pererê. Webdesign Carol Jamault

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Literatura e tradição oral e o Saci Pererê em Paris

January 16, 2018

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Literatura e tradição oral e o Saci Pererê em Paris

O Saci Pererê aportou em Paris, levando na bagagem um pouquinho do Brasil, um baú de
memórias, brincadeiras, poesia, parlendas e histórias, arrumando, assim, um jeitinho traquino de
povoar a imaginação de crianças que estão longe das matas onde ele vive, e um pozinho de
pirlimpimpim para encurtar a viagem entre a França e o Brasil. Isso foi em 1998. Eu estava lá, eu
vi...eu vivi. Já voltei de Paris faz muito tempo, mas na minha caixinha de saudade, em algum viés
de lembrança, ele ainda vive em mim. Em muito do que hoje eu faço, reconheço aquele começo, ali onde plantei sementes e de onde colhi frutos. E ele segue lá, firme em sua proposta de proporcionar um espaço de cultura brasileira e de língua portuguesa às crianças em Paris.

 

A literatura e a tradição oral são fontes riquíssimas de imersão na cultura e na linguagem de um povo, um país, uma região.

 

As histórias e a poesia, os mitos, lendas, parlendas, trava-línguas, adivinhas, quadrinhas, as brincadeiras, cantigas, brincadeiras cantadas constituem a matéria-prima da tradição e de constante renovação e invenção. Desde sempre, tive esses repertórios como lugares de destaque nos meus caminhos pelo campo da educação das crianças, das práticas orais e escritas que as envolvem, e da cultura lúdica infantil. Desde o final dos anos oitenta, quando comecei a trabalhar em escola, eu já era provocada por esse universo, que se remetia muito a minha própria infância também.


Quando eu morava e estudava na França, e Eliana propôs pensarmos na proposta do Ateliê Saci
Pererê – pois é, fiz parte do iniciozinho dessa jornada, com muito orgulho – já tínhamos claro que
esses repertórios favoreciam a articulação entre língua e cultura de forma lúdica e potente. E nos
conectavam também a nossas próprias origens.

 

O Saci nasceu como um espaço de brincar, de brincar com a linguagem, com a língua portuguesa, promovendo interações com e entre as crianças, através da mobilização da cultura lúdica, das brincadeiras de quintal do nosso tempo, dos sentidos e das sonoridades dos textos, das narrativas e poéticas brasileiras, construindo ou fortalecendo, em cada um, um repertório cultural e afetivo do Brasil, junto ao sentimento de pertencimento a uma cultura.

 

 

 

Hoje, quase vinte anos depois, trabalhando como professora e pesquisadora na Universidade Federal da Bahia, no campo da linguagem, da leitura e da escrita, essa discussão sobre o papel do repertório literário e, em especial, o da tradição oral, se ampliou, nas minhas reflexões e práticas, para o campo da alfabetização e do letramento das crianças, para potencializar a apropriação da notação alfabética no contexto das práticas de oralidade, leitura e escrita. E mais do que isso, sem nunca perder de vista a natureza estética e lúdica desses repertórios e o fato de que o que mais importa é a experiência sensível a partir deles e com eles.

O letramento literário tem um papel importantíssimo na formação leitora, e a literatura infantil,
como arte da palavra e da imagem, tem uma vocação inerente para encantar as crianças, construir imaginários, envolvê-las na dimensão estética e artística da palavra e inseri-las na cultura escrita.


Os textos poético-musicais da tradição oral, por sua vez, têm – e podem continuar tendo, se
proporcionarmos experiências sensíveis com eles – um lugar de destaque na cultura lúdica infantil, desde os acalantos que embalam os pequenos recebendo-os no mundo da cultura. Além de cultura lúdica e prática de oralidade, a tradição oral, entretanto, também se relaciona com o letramento, na medida em que se apresenta em gêneros textuais orais, com objetivos lúdicos, performáticos, tendo usos e formas específicas dentro das interações socioculturais brincantes. E esses gêneros constituem igualmente em um repertório produtivo para a apropriação da notação escrita e sua base fonológica, na medida que se apresentam em formas versificadas, curtas, repetitivas e cheias de sonoridades. O estrato sonoro da língua é tanto matéria da poesia quanto da alfabetização – e a reflexão linguística se une aí à fruição da linguagem poética. Só brincar com esses textos poético- musicais da infância já prepara as crianças para aprenderem, mais adiante, o funcionamento da língua escrita, pois a tendência a segmentar e escandir oralmente as palavras, como fazemos brincando de “Lá vai a bola”, “Chicotinho queimado”, de recitar “Uni, duni, tê, salamê, minguê...”, por exemplo, torna a língua, como diz Claudemir Belintane, altamente alfabetizável, já que chama a atenção das crianças para a dimensão sonora da língua. E isso, no contexto do ludismo próprio dos textos da tradição oral. E como são textos que se sabe de memória – ou são facilmente memorizáveis – também podem se constituir em um repertório para as primeiras leituras das crianças. Uma vez memorizados para brincar – repertório tornado seu, de cor, de coração, par cœur – esses textos constituem um lastro de memória textual, e tornam-se privilegiados para o reconhecimento de versos, de palavras, de partes de palavras, de rimas e outras sonoridades, para a escrita do que se sabe de cor, para entender, aos poucos, como é a dança entre sons e marcas gráficas, refletindo sobre a notação escrita e sua relação com a pauta sonora da língua.


Assim, a tradição oral e a literatura são repertórios riquíssimos para aprender português – oral e
escrito – na imersão na expressividade da língua: seja ela a língua materna, seja a língua de herança que se deseja desenvolver ou manter, seja ela uma língua segunda ou estrangeira, que se deseja adquirir em contextos lúdicos e letrados. O Saci tem ofertado, há muitos anos, um espaço rico de experiências variadas com esse vasto repertório cultural e linguístico, tanto aos “curumins” vivendo na França e crianças com dupla nacionalidade, quanto aos pequenos franceses que têm alguma motivação para se aproximarem do português e da cultura brasileira.

 

Aliás, pensando na tradição oral, esse caminho de ampliar as práticas orais para as práticas de
escrita, bem pode ser também um caminho produtivo para novos pulos do Saci, que lida com crianças bilíngues ou que precisam aprender a ler e escrever em português. Há um caminho quase natural entre o brincar com a cultura lúdica e com a linguagem oral, e a alfabetização, e que pode ser construído para atender a demandas que envolvem a apropriação da língua portuguesa escrita, sem encaminhamentos mecânicos e descontextualizados. O Saci, que já deu outros pulos desde que de lá saí, a partir de suas novas parcerias, incluindo ainda mais as artes, as festas e danças populares e outras tradições, bem pode dar mais esse.

 

Por isso tudo, como pesquisadora da área, vejo hoje de forma ainda mais ampliada o valor do que esse espaço oferece a essa comunidade de crianças em Paris. Espaço que faz parte de minha história e de cuja história eu também faço parte...e espero ainda continuar fazendo, mesmo que de longe, por ora com essas poucas linhas, ressaltando fortemente duas guloseimas oferecidas pelo Saci às crianças, desde a origem até hoje: a literatura e a cultura popular do Brasil.

 

 

Sobre a autora:

 

Liane (Lica) Castro de Araujo, é graduada em Psicologia e em Pedagogia, professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia, atuando especialmente na área de alfabetização e letramento. Cuida dos Estágios Supervisionados em Pedagogia, atuando em parceria com as escolas da Rede Municipal de Ensino de Salvador e da disciplina Alfabetização e letramento. Em escola particular, foi professora, coordenadora e supervisora pedagógica nas áreas de Língua Portuguesa e Matemática, por muito tempo. Especializada em Psicopedagogia (CETIS/SEDES) e Mestrado e Doutorado em Educação pela Universidade Federal da Bahia. Foi formadora estadual do Projeto Trilhas (Instituto Natura) e formadora do PNAIC/Pacto (MEC/UFBA), ambos na área de alfabetização. O acervo de jogos, seus usos e concepções, são agora parte de uma pesquisa do GELING, grupo de pesquisa do qual faz parte na FACED/UFBA, articulada ao ensino e à extensão. Acesse aqui o site de Lica.

 

 

 

 

 

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